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Após deixar prisão na Tailândia, brasileira precisa de vaquinha para voltar ao Brasil

Por Radar de Notícias do Sul de Minas · 4 min de leitura
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Família de Mary Hellen Coelho Silva, de Pouso Alegre (MG), recorreu a doações e empréstimos para pagar cerca de R$ 6 mil pela passagem aérea. Brasileira ficou presa por tráfico internacional de drogas e retornou ao país no dia em que completou 26 anos.

A liberdade não significou o fim das dificuldades para Mary Hellen Coelho Silva. Após deixar a prisão na Tailândia, a brasileira, criada em Pouso Alegre, no Sul de Minas, enfrentou outro desafio: conseguir dinheiro para voltar ao Brasil.

Sem condições financeiras para custear a viagem, familiares organizaram uma vaquinha e recorreram a empréstimos para arrecadar cerca de R$ 6 mil, valor necessário para a compra da passagem aérea. As informações foram divulgadas pela advogada Kaelly Cavoli Moreira.

Mary Hellen foi presa em 2022 por tráfico internacional de drogas e permaneceu encarcerada por anos na Tailândia. Sua saída da prisão, após ser beneficiada por um perdão real, não garantiu o retorno imediato ao Brasil.

Antes de embarcar, ela precisou passar por um centro de detenção ligado à imigração. Segundo a defesa, a família enfrentou incertezas e dificuldades para entender os procedimentos necessários à liberação da viagem.

Família enfrentou dificuldades para conseguir a passagem

De acordo com a advogada, a compra da passagem não dependia apenas da disponibilidade de voos com preços acessíveis. Também havia exigências relacionadas à companhia aérea e à data do embarque.

Diante da urgência, os familiares buscaram alternativas para viabilizar o retorno. Uma das tentativas, segundo Kaelly, foi procurar a possibilidade de custeio da passagem por meio da Defensoria Pública da União (DPU), mas a iniciativa não avançou.

Sem uma solução concreta para garantir o pagamento, a família decidiu arrecadar o dinheiro por conta própria. Com a ajuda de doações e empréstimos, conseguiu reunir o valor necessário para comprar a passagem e viabilizar o embarque.

Brasileira voltou ao país no dia em que completou 26 anos

Após toda a espera, Mary Hellen finalmente retornou ao Brasil em 5 de setembro, data em que completou 26 anos.

Segundo as informações divulgadas, ela chegou sozinha e sem pertences. O retorno marcou o reencontro com o país de origem depois de anos longe da família e de um período marcado por dificuldades pessoais e financeiras.

Itamaraty afirma que prestou assistência consular

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que a Embaixada do Brasil em Bangkok tomou conhecimento do caso em 2022 e prestou assistência consular à brasileira, conforme a Convenção de Viena sobre Relações Consulares e o Regulamento Consular Brasileiro.

Segundo o ministério, a assistência incluiu visitas consulares, pequenos auxílios materiais quando necessários e contato direto e contínuo com as autoridades prisionais para acompanhar a situação pessoal da brasileira.

A pasta ressaltou ainda que a atuação consular segue as normas nacionais e internacionais e que não divulga detalhes individuais dos atendimentos prestados a cidadãos brasileiros.

Mary Hellen perdeu a mãe durante o período na prisão

Natural do Rio de Janeiro, Mary Hellen foi criada em Pouso Alegre, onde vivia com a mãe e os irmãos antes de viajar para o exterior. Na época da prisão, tinha 21 anos e trabalhava com carteira assinada em uma churrascaria da cidade. Ela havia deixado o emprego pouco antes da viagem.

Durante o período em que esteve presa, a brasileira enfrentou perdas familiares dolorosas. Sua mãe, Thelma Coelho, morreu em 13 de abril de 2024, em Pouso Alegre, enquanto lutava contra um câncer. Mary Hellen também perdeu o avô durante o encarceramento.

Na época, a defesa relatou dificuldades para comunicar a morte da mãe à brasileira, que mantinha contato com os familiares principalmente por meio de cartas.

Condenação na Tailândia

O caso ganhou repercussão nacional devido à rigidez das leis tailandesas relacionadas ao tráfico de drogas. Dependendo da quantidade apreendida e das circunstâncias, esse tipo de crime pode receber punições severas, incluindo a pena de morte.

Em 8 de maio de 2022, a Justiça tailandesa condenou Mary Hellen a nove anos e seis meses de prisão. A pena foi dividida em dois anos por um crime civil e sete anos e seis meses por um crime penal, conforme informações divulgadas na época.

Depois de anos longe de casa, a brasileira conseguiu retornar ao país. A mobilização da família para pagar a passagem evidencia que, mesmo após deixar a prisão, ainda havia obstáculos a superar para reconstruir a vida no Brasil.

Assuntos: Pouso Alegre
Radar de Notícias do Sul de Minas

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